PAD-UFES volta a Laranja da Terra em agosto e programa é apresentado na Câmara

Saúde e prevenção

Coordenadora administrativa do programa, Vera Jarske falou aos vereadores sobre o atendimento gratuito que o município recebe todos os anos. A edição de 2026 do mutirão acontece nos dias 29 e 30 de agosto.

Vera Jarske durante apresentação sobre o PAD-UFES na Câmara Municipal de Laranja da Terra

Vera Jarske, coordenadora administrativa do PAD-UFES, apresentou o programa aos vereadores durante sessão na Câmara Municipal de Laranja da Terra.

A Câmara Municipal de Laranja da Terra recebeu a visita de Vera Jarske, coordenadora administrativa do Programa de Assistência Dermatológica e Cirúrgica da Universidade Federal do Espírito Santo, o PAD-UFES. Responsável pela integração do programa com os municípios e parceiros, ela reforçou aos vereadores a importância de um serviço que já faz parte do calendário da cidade e detalhou a organização da edição deste ano, marcada para 29 e 30 de agosto.

Laranja da Terra é um dos municípios parceiros fixos do PAD e recebe o mutirão uma vez por ano, ao lado de cidades como Itaguaçu, Afonso Cláudio, Santa Maria de Jetibá, Baixo Guandu, Pancas, São Gabriel da Palha e Vila Pavão. A cada passagem, centenas de moradores são atendidos sem sair do município.

Criado em 1987, o PAD nasceu de uma constatação feita por professores e alunos do Departamento de Medicina Especializada da UFES: a incidência de câncer de pele entre descendentes de pomeranos, no interior capixaba, era muito acima da média. Pele clara, trabalho diário sob o sol na lavoura e distância dos serviços especializados formavam uma combinação de risco. Em vez de esperar que os pacientes chegassem a Vitória, a universidade decidiu levar o ambulatório até eles.

Quase quatro décadas depois, a essência continua a mesma. O programa oferece assistência gratuita e completa, da triagem à cirurgia e à biópsia, para qualquer pessoa com algum tipo de lesão de pele.

29 e 30
Agosto de 2026

Edição 2026 do mutirão em Laranja da Terra

Atendimento gratuito de dermatologia e cirurgia, com triagem, procedimentos e biópsia quando necessário. O agendamento e a divulgação de local e horários ficam a cargo da Secretaria Municipal de Saúde.

Por que o Espírito Santo é um caso à parte

Os números explicam a urgência. No Brasil, o câncer de pele responde por cerca de 31% de todos os casos de câncer diagnosticados, segundo o Instituto Nacional de Câncer. No Espírito Santo, esse percentual chega a aproximadamente 41%. A herança da imigração europeia do século XIX, concentrada justamente nas cidades do interior, ajuda a entender a diferença.

Laranja da Terra está no centro desse mapa. Município de forte presença pomerana e de economia ligada à agricultura familiar, reúne as duas condições que o PAD monitora há décadas: exposição solar prolongada e fenótipo de pele clara.

O PAD-UFES em números

1987

Ano de criação do programa de extensão da UFES

12

Municípios capixabas atendidos ao longo do ano

4 mil

Pacientes atendidos anualmente, em média

41%

Dos cânceres diagnosticados no ES são de pele

Como funciona o mutirão

Cada viagem dura de dois a três dias e mobiliza médicos, enfermeiros, estudantes e voluntários ligados à UFES, às prefeituras, ao governo do estado e a instituições privadas e religiosas. A equipe transporta equipamentos e materiais para montar um ambulatório completo, incluindo um mini centro cirúrgico, capaz de atender centenas de pessoas em poucas horas.

O programa se organiza em quatro frentes. A dermatologia faz o atendimento clínico e a triagem. A cirurgia plástica realiza a retirada das lesões malignas. A patologia analisa as biópsias. E a área de tecnologia da informação, que cresceu a ponto de virar um projeto próprio, o Padtech, cuida do sistema que gerencia os dados de todos os atendimentos e desenvolve ferramentas de apoio ao diagnóstico.

Quem deve procurar o atendimento

  • Pessoas com manchas, feridas que não cicatrizam ou pintas que mudaram de cor, tamanho ou formato.
  • Trabalhadores rurais e demais pessoas com longa exposição diária ao sol.
  • Pessoas de pele clara, com histórico familiar de câncer de pele.
  • Quem já foi atendido em mutirões anteriores e precisa de acompanhamento.

O papel do município

A articulação com o poder público local é parte essencial do modelo e precisa ser renovada a cada edição. Cabe ao município apoiar a estrutura, agendar os pacientes e divulgar o mutirão, garantindo que a passagem da equipe alcance quem mais precisa. Foi esse ponto que motivou a apresentação na Câmara, ampliando o alcance da informação junto à população e aos parlamentares que representam as comunidades rurais.

Além da UFES, o programa é mantido por uma rede de parceiros que inclui a Secretaria de Estado da Saúde, as prefeituras, a Associação Albergue Martim Lutero e empresas privadas. A gestão dos recursos é feita pela Fundação Espírito-santense de Tecnologia, e o projeto também pode ser apoiado por doações e por destinação do imposto de renda.

Saiba maisInformações sobre o programa, calendário de viagens e resultados por município estão disponíveis em pad.ufes.br. Dados de incidência citados nesta matéria são do Instituto Nacional de Câncer e da própria UFES.

Data de Publicação: terça-feira, 21 de julho de 2026